1987

A cimeira europeia de Copenhaga foi um fracasso. As atenções voltam-se agora para a próxima em Bruxelas, mas não há motivos para estar excessivamente optimista quanto aos seus resultados.

Cavaco Silva não escondeu o desapontamento quando comento a ausência de resultados da cimeira de Copenhaga e declarou que “foi pena porque, de algum modo, isso vai traduzir-se numa certa paragem na integração europeia”.

Se forem conseguidas as condições financeiras ecessárias, Portugal poderá dispor, dentro de quatro anos, de um terminal e de uma rede de distribuição primária de gás natural.

Portugal vai iniciar negociações com a Comissão Europeia, em Bruxelas, no sentido de ver alargado o período de transição previsto no Tratado de Adesão à CEE em relação ao sector agrícola.

Afinal, conclui-se que não existe qualquer bloqueamento ao pagamento de verbas comunitárias a Portugal através do Fundo Social Europeu, ao contrário do que se chegou a afirmar na semana passada, em Lisboa.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, João de Deus Pinheiro, manifestou-se ontem optimista quanto à possibilidade de a próxima Cimeira Europeia de Copenhaga encontrar soluções para a crise financeira da CEE, mas advertiu que “se Copenhaga falhar, os agentes económicos ficarão falhões de confinça e será de temer uma recessão económica”.

A Comunidade Europeia desenvolve esforços intensos para reduzir uma das suas montanhas excedentárias, a do aço, não tão famosa como as da manteiga ou da carne, mas igualmente preocupante.

Findas as férias de Verão, os Governantes dos estados-membros da CEE vão debruçar-se, nos próximos dias, sobre o candente problema financeiro da Comunidade. Com os cofres exaustos, os responsáveis pelas finanças comunitárias vão ter de se debruçar com atenção sobre as propostas apresentadas pelo presidente da Comissão, Jacques Delors.

As hostes de dirigentes e funcionários da Comunidade Europeia têm estado em férias, na sua maior parte em regiões bastante mais quentes do que Bruxelas, Luxemburgo ou Estrasburgo. Amanhã, primeiro dia de Setembro, os centros comunitários voltarão a povoar-se e as praias passarão, rapidamente, a ser apenas uma recordação.

A Comissão Europeia prepara-se para penetrar numa área que, tradicionalmente, não olha com agrado para intromissões. Trata-se de uma iniciativa para elaborar uma regulamentação de grande amplitude sobre o processo de aquisição e fusão de empresas, onde esteja prevista a protecção das que se encontram em posição mais fraca.

“Não devem existir objectivos distintos, conforme nos localizamos no Norte ou no Sul da Europa. Os objectivos devem ser sempre comuns.”

Os chefes de Estado e de Governo da CEE, vão iniciar esta tarde em Bruxelas, uma cimeira de dois dias que pretendem essencialmente virada para o debate do desenvolvimento comunitário a longo prazo, com base na série de propostas apresentadas pelo presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors.