A Fábrica
Estamos em 2016. Nos Estados Unidos da América, discutem-se as presidenciais e o escândalo dos emails de Hillary Clinton. A candidata à Casa Branca teria utilizado um endereço Gmail para tratar de assuntos de segurança. O candidato republicano, Donald Trump, faz deste caso o principal assunto da campanha. O tema é discutido nas redes sociais e são publicadas centenas de notícias.
Trump vence as eleições. Mais de um ano depois, uma investigação deteta a origem destas e outras notícias: uma pequena cidade na Macedónia do Norte chamada Veles. Uma cidade onde dezenas de jovens eram pagos para publicar e republicar conteúdos e Fake News internacionais.
“Dimitri”, criador de fake news em Veles, Macedónia
A denúncia da NBC conduz a uma investigação do FBI. A agência e o Congresso acusam formalmente a Rússia de estar por detrás destas notícias. Na prática, acusam a Rússia de interferência eleitoral.
Trump sempre negou ter conhecimento da interferência russa.
Com as denúncias de interferência nas eleições de 2016, foram identificados mais de 150 sites de Fake News geridos em Veles, por jovens. Estes sites eram nomeados de forma a parecerem americanos, tais como:
- WorldPoliticus.com
- TrumpVision365.com
- USConservativeToday.com
- DonaldTrumpNews.com
- USADailyPolitics.com
Perfil dos criadores de Fake News em Veles:
- Jovens na casa dos 20 anos;
- Educação de nível elementar e sem formação em jornalismo, sem emprego estável;
- Consideram que fazem marketing digital e não jornalismo, têm orgulho neste trabalho;
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Consideram este trabalho uma atividade lucrativa e prestigiosa:
- “As Fake News na sociedade atual são um processo através do qual cada pessoa (...) pode ganhar muito dinheiro e ter grande sucesso na área publicitária”.
- “As Fake News na sociedade atual são uma mentira verdadeira que toda a gente conhece, mas de que não se apercebe”.
- “As Fake News são um tipo de trabalho em que pensamos como escrever e o que escrever em várias páginas para nos tornarmos populares e ricos”.
- Consideram os riscos mínimos: “Para ser sincero, no início tive um pouco de receio porque se tratava de política e porque estava a escrever para pessoas importantes como Hillary Clinton e Donald Trump, mas os riscos não se revelaram graves; é que já não posso existir no Facebook com o meu nome”.


