1990

Lisboa e Porto vão ficar a cerca de três horas e meia de comboio de Madrid, através de uma nova linha de alta velocidade (TGV) integrada numa rede europeia, cujos parâmetros gerais foram aprovados ontem, em Bruxelas, pelos ministros dos Transportes da Comunidade Europeia.

A Comunidade Europeia vai iniciar hoje, ao fim da manhã, um dos processos de transformação mais drásticos de toda a sua existência.

Para concretizar o Mercado Interno europeu, com uma maior integração económica e social na Comunidade, torna-se indispensável uma genuína convergência dos sistemas financeiros entre os doze Estados membros.

A Comunidade Europeia e os Estados Unidos mantinham ontem a sua guerra de palavras, sublinhando as divergências mútuas quanto ao grau de redução nos apoios aos respectivos agricultores. Os EUA exigem reduções por parte da Europa muito acima daquilo que os negociadores europeus estão preparados para ceder.

A cimeira europeia que decorreu este fim-de-semana em Roma, dificilmente ficará na história. No entanto, tendo em conta a sensibilidade de alguns dos temas na agenda, reduzir excessivamente a sua importância poderá ser injusto para os chefes de Estado e do Governo dos 12 países membros da CEE que nela participaram.

Os chefes de Estado e de Governo dos países da Comundiade Europeia decidiram em Roma marcar a data de Janeiro de 1994 para o início da segunda fase da União Económica e Monetária. A UEM, que se entende ao longo de três fases, pretende estabelecer a convergência entre as políticas financeiras dos Estados membros, criar um banco central (o Eurofed) e instituir uma moeda única. A primeira fase já se encontra em curso.

O ambiente de comemoração que se vive na Alemanha unificada não esconde as preocupações que se desenvolveram, ao longo dos últimos meses, junto de muitos alemães.

O pedido de demissão do ex-ministro do Comércio britânico Nicholas Ridley trouxe grande alívio a muitos sectores do Partido Conservador, depois das declarações à revista “The Spectator”.

Dizia recentemente o primeiro-ministro Cavaco Silva que as cimeiras europeias estão a tornar-se cada vez menos conflituosas, mais tranquilas e mais produtivas.

O primeiro-ministro da Alemanha de Leste, Lothar de Maizière, vai ser convidado muito especial na cimeira europeia que amanhã começa em Dublin. Será uma forma dos dirigentes da CEE expressarem o seu apoio a um país que em breve fará parte do seu grupo. No terceiro e último artigo sobre os temas da cimeira olha-se agora para a forma como a CEE aborda as questões do Leste europeu.

Ultrapassadas as divergências quanto à localização da sede e à escolha do presidente, acabou por ser lançado o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD).

A Alemanha de Leste vai estar presente na próxima cimeira da Comunidade Europeia, marcada para 25 e 26 deste mês em Dublin, na Irlanda.