1991

Ao longo da sua experiência comunitária, Portugal já se habituou aos jogos de alianças e divergências entre os Estados membros, num esforço para salvaguardar interesses próprios. Porém, durante os próximos seis meses, compete às autoridades portuguesas, pela primeira vez na presidência da Comunidade, articular esses jogos, o que nem sempre é fácil.

A Comunidade Europeia aceitou o princípio do reconhecimento da independência da Croácia e da Eslovénia, embora a posição definitiva apenas seja divulgada formalmente no próximo dia 15 de Janeiro, após uma verificação sobre se as duas repúblicas se enquadram nos critérios mínimos definidos pela CEE.

Passada a cimeira de Maastricht, com progressos significativos no aprofundamento da integração política e económica da CEE, Portugal pode agora ultmar a sua estratégia e lista de prioridades para a presidência da Comunidade, que assume dentro de cerca de duas semanas. Estas prioridades serão abordadas, hoje e amanhã, em Bruxelas, pelo primeiro-ministro Cavaco Silva, em reunião com a Comissão Europeia.

O primeiro-ministro holandês, Ruud Lubbers, na presidência da Comunidade Europeia, expressou, uma carta aos seus colegas da CEE, a “firme convicção” de que “existem bases para um acordo” na cimeira da próxima semana em Maastricht destinada a consagrar o aprofundamento da integração política e económica entre os seus Estados membros.

Tudo o que os ministros da Comunidade tinham a fazer, quanto ao aprofundamento da integração política e económica, parece concluído.

A Comunidade Europeia atravessa um período de intensa controvérsia, em que a França e a Alemanha procuram recuperar margem de manobra na instituição da futura União Política, com uma reunião que tomaram a iniciativa de convocar para sexta-feira, apesar de fortes críticas de outros Estados membros.

A Comunidade Europeia aprovou uma nova linha de crédito de 1250 milhões de ecus (225 milhões de contos) para o fornecimento de alimentação e medicamentos à União Europeia.

Os Ministros dos Negócios Estrangeiros da CEE poderão registar progressos significativos no estabelecimento de uma política externa e segurança comum (PESC), durante uma importante reunião informal, marcada para este fim-de-semana na Holanda.

O director-geral do Gabinete para a Integração Europeia da Polónia, Andrzej Harasimowicz, lanço ontem um apelo para que não sejam levantadas dificuldades ao estabelecimento de um acordo de associação do seu país com a CEE.

A CEE está a consolidar a sua capacidade negocial na crise jugoslava após ter aprovado ontem, em Haia, o mandato de uma delegação de observadores-monitores, civis e militares, que acompanharão, na Eslovénia e, possivelmente, na Croácia, a aplicação do compromisso de paz estabelecido em Brioni.

Portugal faz parte, pela primeira vez, desde o princípio do mês, da chamada tróica da Comunidade Europeia.

A CEE assumiu um papel mais destacado na sua influência internacional, após ter conseguido um acordo de cessar-fogo na Jugoslávia e a suspensão, por três meses, da aplicação das declarações unilaterais de independência da Croácia e da Eslovénia.