Reutersgate

Líbano, 12 de julho de 2006. O sequestro de dois soldados israelitas desencadeou uma ofensiva israelita contra o grupo terrorista do Hezbollah. No meio do conflito, a reputada agência internacional Reuters publica uma fotografia que dá a volta ao mundo e faz capa no New York Times.

No dia seguinte, a própria Reuters, pela primeira vez, emite uma “picture kill”, um pedido para que a imagem não seja utilizada pelos restantes meios. A Reuters justifica-se dizendo que tinha recebido a imagem, já manipulada, de um fotojornalista local (Adnan Hajj). A imagem não foi caso único ou exclusivo. Durante todo o conflito, houve queixas e denúncias de manipulação de imagens com “produção” excessiva para aumentar o seu dramatismo. As Fake News tinham chegado às fotografias

Outros exemplos como este se seguiram.

A Agência Reuters retira uma segunda fotografia adulterada. A fotografia supostamente apresenta um avião caça F16 nos céus do Líbano a disparar mísseis, tendo sido distorcida para fazer parecer que estava a disparar muitos mísseis. Contudo, o avião da imagem só está a disparar um sinalizador defensivo, sendo os outros cópias do primeiro.
 



A Reuters retira as imagens e remove da sua base de dados todas as fotografias deste autor, Adnan Hajj, anunciando que iria estabelecer uma política mais rigorosa de avaliação de imagens do conflito no Médio Oriente.

A 27 de julho de 2006, o The New York Times publica um artigo de Tyler Hicks que mostra imagens de um homem morto a ser resgatado depois de um ataque aéreo à cidade de Tiro. Na legenda da foto, diz-se que ainda se encontram corpos debaixo dos destroços do ataque aéreo, apelando-se ao fim do bombardeamento por Israel. Contudo, como se perceberá depois, trata-se de uma fraude, dado que o mesmo homem aparece noutras fotografias depois do ataque, a apontar e a movimentar-se pelos destroços.

Em Beirute, após um ataque de Israel, o Hezbollah cria uma campanha visual, com peluches limpos sob os escombros da cidade, mudando a narrativa para um massacre de cidadãos libaneses inocentes.

Beirute